Audiometria: como é feita, dói, quanto tempo dura e como entender o resultado

Fonoaudióloga examinando o conduto auditivo de uma paciente antes da audiometria. Foto de RDNE Stock project via Pexels.

A audiometria é feita por fonoaudiólogo, em cabina ou sala tratada acusticamente, e mede duas coisas em cada orelha: o menor som que a pessoa detecta em diferentes frequências e o quanto ela entende da fala. Não dói, não é invasiva, não exige jejum e costuma levar de 20 a 40 minutos, contando a entrevista inicial. O resultado é o audiograma, um gráfico que cruza frequência, em hertz, com intensidade, em decibéis, e que mostra o tipo e o grau da perda auditiva. Ele orienta a conduta clínica, mas não a determina sozinho.

O que você vai ver neste post

O que é a audiometria e para que ela serve

A avaliação audiológica básica reúne três exames complementares. A audiometria tonal liminar busca o limiar auditivo, a menor intensidade em que cada tom puro é detectado, por via aérea e, quando necessário, por via óssea. A audiometria vocal, ou logoaudiometria, mede a habilidade de detectar e reconhecer a fala. As medidas de imitância acústica avaliam o funcionamento da orelha média. Os critérios estão no Guia de Orientação na Avaliação Audiológica do Conselho Federal de Fonoaudiologia.

A distinção entre ouvir e entender é a mais mal compreendida por quem faz o exame pela primeira vez, e é a que explica a queixa mais comum no consultório: “eu escuto, mas não entendo o que falam”. Detectar som e reconhecer palavras são habilidades diferentes, e uma pode estar preservada enquanto a outra já se deteriorou.

Como a audiometria é feita, passo a passo

A sequência é bem estabelecida, e quase nada nela surpreende o paciente.

  1. Anamnese e inspeção do meato acústico externo. A inspeção do conduto antes do teste é exigência da Resolução CFFa nº 693/2023. Uma rolha de cera não identificada contamina o traçado inteiro.
  2. Acomodação na cabina. O paciente recebe os fones e uma instrução simples: sinalizar sempre que perceber o som, mesmo muito fraco. A Resolução CFFa nº 554/2019 fixa os níveis de ruído aceitáveis nesse ambiente.
  3. Limiares por via aérea. Os tons são apresentados uma orelha por vez, de 250 a 8.000 Hz, até se encontrar o menor nível percebido em cada frequência.
  4. Limiares por via óssea. Um vibrador apoiado na mastoide leva o som direto à cóclea, sem passar pela orelha externa e média. Comparar as duas vias separa perda condutiva de neurossensorial.
  5. Audiometria vocal. O fonoaudiólogo apresenta palavras para o paciente repetir, medindo o quanto ele entende, não apenas o quanto ouve.
  6. Imitanciometria. Uma sonda na entrada do conduto avalia a mobilidade do sistema tímpano-ossicular e os reflexos acústicos, em poucos minutos e sem dor.

O resultado é registrado no audiograma e deve ser explicado na própria consulta. Um laudo entregue sem leitura é um papel, não uma orientação.

Dói? Preciso me preparar?

Não dói. Nada é introduzido no ouvido além do fone e, na imitanciometria, de uma sonda de silicone na entrada do conduto. Não há agulha, contraste, sedação ou jejum. As fontes clínicas convergem para uma duração entre 20 e 40 minutos, conforme o Hospital CEMA e a Rinoclínica, a depender da bateria solicitada.

O único preparo que muda o resultado é o repouso auditivo. Na audiometria ocupacional a exigência é legal: o Anexo I, Quadro II da NR-7 determina no mínimo 14 horas sem exposição a ruído intenso. No exame clínico não há obrigatoriedade, mas o princípio vale, porque ruído recente desloca temporariamente os limiares: show, academia com som alto, ferramenta elétrica e fone em volume elevado nas horas anteriores distorcem o traçado. Logística, custos e documentos estão no texto sobre audiometria em Belo Horizonte.

Como ler seu audiograma

O audiograma tem dois eixos. O horizontal traz as frequências, das graves à esquerda para as agudas à direita, de 250 a 8.000 Hz. O vertical traz a intensidade em decibéis nível de audição (dB NA), com os valores mais baixos no topo. Quanto mais abaixo o traçado, pior a audição naquela frequência.

Os símbolos seguem convenção: círculo para via aérea da orelha direita, em vermelho, X para via aérea da orelha esquerda, em azul, e sinais de menor e maior para a via óssea. Comparar as duas vias revela o tipo da perda, segundo o Manual de Procedimentos do CFFa:

  • Perda condutiva: via óssea preservada, com limiares até 15 dB NA, via aérea pior que 25 dB NA e diferença entre elas, o gap aéreo-ósseo, de 15 dB ou mais. O problema está no trajeto do som, não no nervo.
  • Perda neurossensorial: as duas vias rebaixadas e acopladas, com gap de até 10 dB. É a forma mais comum em adultos e idosos, e é permanente.
  • Perda mista: as duas vias rebaixadas e ainda assim com gap de 15 dB ou mais.

Na audiometria vocal, o mesmo manual situa o reconhecimento de fala entre 100% e 92% como normalidade, e valores abaixo de 50% como provável incapacidade de acompanhar uma conversa.

O formato da curva também informa. Um traçado descendente, com as frequências agudas piores que as graves, é o padrão típico da presbiacusia e da perda induzida por ruído, e explica por que a pessoa ouve a voz mas perde as consoantes que dão sentido à frase.

Os graus de perda auditiva

O grau é calculado pela média dos limiares de via aérea, nunca por uma frequência isolada. A classificação da Organização Mundial da Saúde, no World Report on Hearing, usa a média de 500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz. Ela está reproduzida no guia do CFFa e detalhada na ficha técnica da OMS sobre perda auditiva.

Grau Média dos limiares
Audição normal Menor que 20 dB
Leve 20 a menos de 35 dB
Moderado 35 a menos de 50 dB
Moderadamente severo 50 a menos de 65 dB
Severo 65 a menos de 80 dB
Profundo 80 a menos de 95 dB
Perda completa 95 dB ou mais

Duas ressalvas importam. Existe mais de uma classificação em uso no Brasil, e a Resolução CFFa nº 693/2023 exige que o laudo informe qual critério foi adotado, entre os cientificamente validados: comparar audiogramas de critérios diferentes gera confusão desnecessária. E quando só frequências fora da média estão alteradas, como 6.000 Hz, o correto é descrever a frequência acometida sem atribuir grau.

Recebi o resultado. E agora?

O audiograma é ponto de partida, não conclusão. Ele mostra o tipo e o grau, mas a conduta depende da história clínica, do impacto na rotina e da avaliação do profissional que acompanha o caso.

Perdas condutivas costumam ter causa tratável, como cerume impactado, otite ou disfunção tubária, e uma audiometria de controle depois do tratamento separa “resolveu” de “melhorou em parte”. Perdas neurossensoriais permanentes não respondem a medicamento, tema detalhado no texto sobre remédios para perda auditiva; nesses casos o caminho é a reabilitação auditiva, e o artigo sobre quando é hora de usar aparelho auditivo ajuda a situar a decisão. Se o exame veio investigar zumbido, vale ler também se zumbido no ouvido é normal com a idade.

Há uma exceção que não admite espera. Perda de pelo menos 30 dB em três frequências contíguas instalada em até 72 horas caracteriza a surdez súbita, e a diretriz da American Academy of Otolaryngology recomenda audiometria e tratamento o quanto antes. Perceber que um ouvido “fechou” de repente é motivo para procurar atendimento no mesmo dia, não para agendar exame na semana seguinte.

Perguntas frequentes sobre audiometria

Audiometria dói ou é invasiva?

Não. O exame usa fones de ouvido, um vibrador apoiado atrás da orelha e, na imitanciometria, uma sonda de silicone na entrada do conduto. Não há agulha, contraste nem sedação, e nada é introduzido no canal auditivo. A única sensação diferente é uma leve variação de pressão durante a timpanometria.

Quanto tempo dura a audiometria?

Entre 20 e 40 minutos na maioria dos casos, incluindo a entrevista inicial e a inspeção do conduto. O tempo varia conforme a bateria solicitada: audiometria tonal isolada é mais rápida do que a avaliação completa com audiometria vocal e medidas de imitância acústica. Tudo se resolve em uma única sessão.

Qual a diferença entre audiometria tonal e vocal?

A tonal identifica o menor volume em que a pessoa detecta tons puros em cada frequência, ou seja, o quanto ela ouve. A vocal mede a habilidade de reconhecer palavras faladas, ou seja, o quanto ela entende. Alguém pode ter limiares razoáveis e ainda assim confundir palavras em ambiente ruidoso.

Audiometria normal descarta qualquer problema de audição?

Não necessariamente. Limiares dentro do padrão não excluem queixas de processamento auditivo, dificuldade específica em ruído ou alterações restritas a frequências acima de 8.000 Hz, que a audiometria convencional não testa. Quando a queixa persiste apesar do resultado normal, cabe investigação complementar.

Agende sua avaliação auditiva na Maví

Se você notou mudança na audição ou está encaminhando um paciente, a Maví realiza avaliação auditiva completa em Belo Horizonte, com o resultado explicado na própria consulta e acompanhamento depois dela. Estamos na Rua Guaicuí, 297, Loja 1, Luxemburgo, Belo Horizonte, MG. Agende sua avaliação ou fale pelo WhatsApp.

Revisão técnica: Fga Emanuelle Tarabal, CREFONO 6974-3, fonoaudióloga responsável pela Maví Centro Auditivo.

Última atualização: 10 de agosto de 2026.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação presencial. Nenhum diagnóstico ou conduta pode ser determinado a distância.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *